segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Vencedores e Perdedores - De um Jogo que não é Jogo

Vencedores e Perdedores - De um Jogo que não é Jogo

Reflexão de Fernando Alberto

      Esperei um pouco para produzir este texto. Passados os dias de "fervor emocional das eleições", num ambiente de sobriedade e desapegos ideológicos, faço aqui algumas reflexões sobre o país que nos tornamos e o tipo de pessoas que evidenciamos ser.
      Em primeiro lugar, o comportamento das discussões no período eleitoral parece nos ter remetido ao conceito de uma partida clássica de futebol, no caso, um confronto entre dois times, o do PT contra o PSDB e diante de tal, duas torcidas ferrenhas, cada uma desejando a derrota do seu adversário. Muitos se esqueceram de que aquilo que estava em jogo não era o jogo, era um país inteiro, juntamente com os seus próprios destinos administrativos pessoais.
Definitivamente, negativamente marcante as armas apresentadas pelos próprios times, na postura pré-eleitoral. Por um lado ataques e evidentes demonstrações de desvios da gestão pública, por outro uma impressionante ação de marketing de destruição de reputações, inclusive com mentiras múltplas sobre pessoas e dados. Idéias e propostas foram secundarizadas.
Tudo isto no período eleitoral. Mas agora o que resta? Resta a verdade dos fatos que foram negados, dados que foram alterados, intenções e ações que foram atribuídas aos opositores, agora praticadas por quem disse que jamais iria fazê-lo. Somos então, em última análise, um país de idiotas que decidiu acreditar e valorizar a mentira, e que agora diante dos fatos claramente divulgados, dos números que se esconderam de maneira cínica estampados em nossa cara, dos gráficos da economia jogados em nosso rosto, ficamos sentados "assistindo o jogo" com a cara de quem diz: "perdemos porque o juiz roubou".
      Como eu disse , amigos, não é um jogo no qual a perda fica dentro de campo. Neste jogo, não só as duas torcidas partidárias perderam, perdemos todos nós, o país inteiro. O ingresso deste jogo foi caríssimo e continuará sendo pago anos à fio, não apenas os 4 anos que se pensa ter ainda que suportar este estado de coisas. Se tudo que aconteceu até agora nestes 12 anos, levou-nos à direção na qual estamos, aonde pensamos que os próximo 4 nos conduzirão?
      Ao ler coisas como nosso alinhamento com ditadores, permissão de venezuelanos para treinar o MST, silêncio da nossa diplomacia para com os atos cometidos pelo Estado Islâmico, agendas previamente preparadas para impor censura à mídia e regulação ideológica da internet, agendas estas inseridas na agenda do Foro de São Paulo que pretende "bolivarizar" a América Latina, diante de tudo isto, vejo que o Brasil que hoje está no poder não trabalha pelo verdadeiro Brasil. Trabalha-se hoje a desconstrução de uma nação democrática, estabelecendo a base ideológica à todo custo...E que custo.
       Este é um "jogo" no qual aqueles que se dizem vencedores e até comemoram, recebem sobre si não apenas os" louros da vitória", mas denunciam um caráter alinhado àqueles que a produziram de forma questionável, e isto não se constitui em bônus mas ônus, e ônus altíssimos cobrados a curto e longo prazo.
       Perdemos todos, principalmente porque vimos que a mentira prevaleceu sobre o bom senso. Mas ganhamos em tempo, porque mais uma vez vimos o tempo trabalhar pela verdade, e se Deus quiser, a Nação que se deixou embalar e dormir pelo torpor na mentira soletrada aos ouvidos, acordará em tempo para reverter a sua derrota. Eu sou um destes tantos que lutará incansavelmente para ver o Brasil como o conhecemos, restaurado e transformado, pronto para demonstrar um caráter melhor ao mundo.

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