Vencedores e Perdedores - De um Jogo que não é Jogo
Esperei um pouco para produzir este texto. Passados os dias de "fervor
emocional das eleições", num ambiente de sobriedade e desapegos
ideológicos, faço aqui algumas reflexões sobre o país que nos tornamos e
o tipo de pessoas que evidenciamos ser.
Em primeiro lugar, o
comportamento das discussões no período eleitoral parece nos ter
remetido ao conceito de uma partida clássica de futebol, no caso, um
confronto entre dois times, o do PT contra o PSDB e diante de tal, duas
torcidas ferrenhas, cada uma desejando a derrota do seu adversário.
Muitos se esqueceram de que aquilo que estava em jogo não era o jogo,
era um país inteiro, juntamente com os seus próprios destinos
administrativos pessoais.
Definitivamente, negativamente marcante
as armas apresentadas pelos próprios times, na postura pré-eleitoral.
Por um lado ataques e evidentes demonstrações de desvios da gestão
pública, por outro uma impressionante ação de marketing de destruição de
reputações, inclusive com mentiras múltplas sobre pessoas e dados.
Idéias e propostas foram secundarizadas.
Tudo isto no período
eleitoral. Mas agora o que resta? Resta a verdade dos fatos que foram
negados, dados que foram alterados, intenções e ações que foram
atribuídas aos opositores, agora praticadas por quem disse que jamais
iria fazê-lo. Somos então, em última análise, um país de idiotas que
decidiu acreditar e valorizar a mentira, e que agora diante dos fatos
claramente divulgados, dos números que se esconderam de maneira cínica
estampados em nossa cara, dos gráficos da economia jogados em nosso
rosto, ficamos sentados "assistindo o jogo" com a cara de quem diz:
"perdemos porque o juiz roubou".
Como eu disse , amigos, não é um
jogo no qual a perda fica dentro de campo. Neste jogo, não só as duas
torcidas partidárias perderam, perdemos todos nós, o país inteiro. O
ingresso deste jogo foi caríssimo e continuará sendo pago anos à fio,
não apenas os 4 anos que se pensa ter ainda que suportar este estado de
coisas. Se tudo que aconteceu até agora nestes 12 anos, levou-nos à
direção na qual estamos, aonde pensamos que os próximo 4 nos conduzirão?
Ao ler coisas como nosso alinhamento com ditadores, permissão de
venezuelanos para treinar o MST, silêncio da nossa diplomacia para com
os atos cometidos pelo Estado Islâmico, agendas previamente preparadas
para impor censura à mídia e regulação ideológica da internet, agendas
estas inseridas na agenda do Foro de São Paulo que pretende
"bolivarizar" a América Latina, diante de tudo isto, vejo que o Brasil
que hoje está no poder não trabalha pelo verdadeiro Brasil. Trabalha-se
hoje a desconstrução de uma nação democrática, estabelecendo a base
ideológica à todo custo...E que custo.
Este é um "jogo" no qual
aqueles que se dizem vencedores e até comemoram, recebem sobre si não
apenas os" louros da vitória", mas denunciam um caráter alinhado àqueles
que a produziram de forma questionável, e isto não se constitui em
bônus mas ônus, e ônus altíssimos cobrados a curto e longo prazo.
Perdemos todos, principalmente porque vimos que a mentira prevaleceu
sobre o bom senso. Mas ganhamos em tempo, porque mais uma vez vimos o
tempo trabalhar pela verdade, e se Deus quiser, a Nação que se deixou
embalar e dormir pelo torpor na mentira soletrada aos ouvidos, acordará
em tempo para reverter a sua derrota. Eu sou um destes tantos que lutará
incansavelmente para ver o Brasil como o conhecemos, restaurado e
transformado, pronto para demonstrar um caráter melhor ao mundo.
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